Projeto Corações de Baependi

Existe no Sul de Minas Gerais, desde 2005, o “Projeto Corações de Baependi” localizado na simpática cidade de mesmo nome.  Este projeto é um estudo longitudinal, ou seja, acompanha/observa as pessoas ao longo da vida. O legal deste desenho de estudo é ter o privilégio de observar possíveis fatores, como hábitos de vida por exemplo, envolvidos no desenvolvimento de doenças crônicas ao longo do tempo. Estas doenças são obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol alto.

Dra Camila, enquanto aluna de doutorado no Instituto do Coração (InCor/USP), foi quem primeiro desbravou a mata fechada de uma floresta ainda não explorada em território nacional, coordenando com otimismo e criatividade aproximadamente 80 voluntários, os quais colaboraram para a coleta de dados de 1.712 participantes pertencentes a 120 famílias daquele município, em  um período extremamente curto de 4 semanas.

O “Projeto Corações de Baependi”, por sua vez, foi o primeiro estudo familiar do Brasil em doenças cardiovasculares e, atualmente, se propõe a acompanhar 3.500 participantes, que são reavaliados a cada 5 anos. Este projeto possui, hoje, centro de investigação próprio e pessoas capacitadas – residentes do próprio município remunerados com bolsas de estudo – como equipe de apoio para a realização de exames complementares.

A evolução desta história

Pesquisa Participativa Comunitária

Porém, em determinado momento (2014), Dra Camila – enquanto professora do Depto de Fisiologia e Biofísica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – e colaboradores perceberam a necessidade do desenvolvimento de novas estratégias para interagir com a comunidade de Baependi, população que gentil e altruisticamente participa deste estudo pioneiro no Brasil.

A ideia foi fomentada por resultados obtidos em estudos iniciais e, principalmente, por entenderem que as feiras de saúde que eram ocasionalmente realizadas na praça da cidade, em situações pontuais, eram insuficientes para a real promoção da saúde e para impactar mudanças dos hábitos de vida dos habitantes da pequena comunidade mineira.

Naquele momento, fora iniciado intuitivamente, o que se denomina Pesquisa Participativa Comunitária. Ou seja, a partir de resultados prévios observados em determinada comunidade, intervenções foram propostas de modo assertivo e direcionado.